quarta-feira, 18 de junho de 2008

EXAMES

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Ontem levei a manhã toda e parte da tarde a fazer um exame de equivalência à frequência para uma aluna que reprovou de ano, com dois na minha disciplina. Esta aluna está pela segunda vez a repetir o mesmo ano, não é Portuguesa, tem um fraco domínio da língua e, por isso, pouco ou nada percebia do que era dado nas aulas. Ou seja estive a fazer um exame, sem qualquer adaptação de linguagem (pois a legislação não prevê casos destes) para uma aluna que não percebe Português. Por outras palavras, estive a fazer um exame que já sei, à partida, que não vai ser respondido na sua maioria e que portanto, vai conduzir a uma nova reprovação. O que é giro no meio disto tudo é que também ontem foi realizado um exame nacional de Língua Portuguesa especial para alunos cuja Língua Portuguesa não é a materna. Por um lado o ministério da educação considera que estes alunos não devem ser penalizados ao responderem a um exame igual aos restantes que apresentam a Língua Portuguesa como língua materna, por outro lado, não assegura que sejam feitas o mesmo tipo de adaptações quando estes realizam provas de exame de outras áreas curriculares que, como é óbvio, também são escritos utilizando a "nossa língua" e adaptados a alunos que a dominam minimamente. De qualquer forma, pensei eu ingenuamente, que esse dito exame para alunos estrangeiros apresentasse uma linguagem mais acessível mas, do mesmo modo, avaliasse as competências essenciais exigidas a todos no final do terceiro ciclo do ensino básico. Pelos vistos não! Não avalia nada do que foi tratado no terceiro ciclo, avalia, quanto muito, coisas básicas ao nível do primeiro (?) ciclo. Pior foi saber que o exame utilizado para os alunos do nono ano foi exactamente igual ao utilizado para os alunos nas mesmas condições (com Língua Portuguesa não materna)do décimo segundo ano. Não me parece correcto que um aluno estrangeiro tenha mais facilidade em entrar na faculdade do que um aluno Português, pelo simples facto de não lhes ter sido questionado nada para além do básico. Desconheço a realidade nos outros países mas tenho muitas dúvidas que se fosse um Português viver para a Inglaterra ou para outro qualquer país, tivesse o mesmo tipo de facilidades que os estrangeiros têm em Portugal. A aluna, que não respondia a nada do que lhe era perguntado nas aulas, limitando-se a dizer, em Inglês, que não percebia, neste exame teve quase tudo certo e, muito provavelmente irá ter um nível quatro, equivalente a um nível quatro de um outro aluno, Português, que teve de demonstrar conhecimentos ao nível dos conteúdos do terceiro ciclo.

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Com exames destes, não percebo quando o ministério da educação diz que os exames nacionais são instrumentos de avaliação sumativa que se enquadram num processo que contribui para a certificação das aprendizagens e competências adquiridas pelos alunos.

Não se pense que eu não sou a favor de exames nacionais. Não só sou a favor, como até acho que não deveriam ser unicamente obrigatórios nas disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática. Considero que os exames acabam por ser o único meio (ou o mais importante) para regular as práticas educativas permitindo, por outro lado, uma melhor uniformização a nível de exigências entre escolas e/ou professores.

Posto isto, e uma vez que estou morto de sono por ter acordado de madrugada para vigiar os exames, vou dormir (para a praia).

BEIJOS E ABRAÇOS

4 comentários:

just me disse...

Há quem tenha a sorte de estar de férias e poder ir dormir para a praia, enquanto outros estão no meio do desespero!
Em relação ao post não comento, uma vez que não sou professora e não percebo nada de nada sobre esses tais "exames nacionais" e "língua portuguesa não materna" (só estou para saber porque não ficámos na mesma sala ontem, uma vez que eu poderia também - e mais que tu - transmitir calma e serenidade ao T..go!)
Apenas vim comentar as tuas fotos... deves ter esgotado todas as que se encontravam lá no site referente a exames (já te estou a visualizar de dicionário de português/inglês - inglês/português na mão, à procura de como se diz e escreve "exame"!).
Penso que os teus leitores terão tido a nítida percepção do conteudo deste post, mesmo sem o ler!
Bjs de quem também está (praticamente) de férias!

Anónimo disse...

Após ter lido e relido este post, acabo por concordar com a generalidade dos seus "desabafos".

Que escola é esta???? Onde irá parar????? (Isto para já não falar do modelo de Avaliação dos Docentes actualmente em vigor...)

Quanto ao ir dormir para a praia, também gostaria muito de a ter por perto, para poder fazer o mesmo.

Tenha um bom final de semana.

Andarilho disse...

P/ Just me:
Não percebo porque tu querias tanto ficar na sala comigo a fazer a vigilância...
Quanto às imagens, muitas vezes ando mesmo de dicionário na mão para resolver o problema, mas não foi o caso desta vez. Exame, em Inglês, é fácil. :):)
Beijo

Andarilho disse...

P/ Anónimo:

Não sei responder às suas questões. Há 15 anos atrás, quando comecei a trabalhar, nunca imaginei as coisas assim. Antes eu tinha tempo para trabalhar para a escola e gostava de o fazer, hoje sobra-me muito menos tempo (e faço muito menos) para fazer aquilo que de facto interessa e que tem a ver com a preparação do trabalho directo com os alunos.

Quanto ao actual modelo de avaliação ds docentes, muito teria para dizer sobre isso. Basicamente considero que não avalia nada, que os bons professores continuarão a não ser reconhecidos por isso e que os maus professores também não deixarão de o ser. Basta, neste último caso, prepararem teatros para as aulas assistidas e desenvolverem boas relações com quem interessa na sala de professores. Talvez no próximo ano, altura em que mudo de escalão, dê a minha opinião mais aprofundada sobre este tema.

Não tem praia por perto??? E o que está à espera de concorrer JÁ para o litoral? ;)

Bom fim-de-semana e obrigado pelo comentário.

:)