quarta-feira, 8 de junho de 2011

Na semana passada perdi o meu relógio na praia. Como não tenho pilhas nos outros que tenho aqui por casa, e estando eu numa maré (mais uma) de poupanças, não comprei pilha para nenhum e tenho andado sem horas. Vejo-as no telemóvel. O problema maior é durante as aulas já que não posso sacar do telemóvel para controlar o tempo, não se vá dar o caso dos alunos perceberem que, apesar de não ser permitido ter o telemóvel ligado, eu tenho-o (na vibração). Assim sendo, desde a semana passada que tenho de lhes perguntar as horas para saber quantos minutos de aula me restam. Não haveria problema se os miúdos usassem relógio. Ninguém, em nenhuma das minhas 5 turmas, tem relógio. Poderão ver as horas, mas só no telemóvel que supostamente também está desligado. Resumindo, ao longo destes dias tenho eu que fingir que eles vêem as horas num sitio qualquer, ao invés de no telemóvel e acreditar. À custa disto, como se depreende, tenho saído todos os dias 5 ou 10 minutos mais cedo das aulas. Mas o regabofe acabou. Hoje, quando ia a conduzir a caminho do shopping (não para comprar pilhas, porque para isso não tenho dinheiro), lembrei-me que o relógio deveria ter ficado num dos bolsos dos calções que levei para a praia. Acabei de o achar. :)

B. e A.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma vez, há já muito tempo, a minha namorada perguntou-me qual seria aquela coisa que me faria pensar em acabar uma relação. A minha resposta foi rápida:
- Os ciúmes.
Perguntei-lhe também, ao que ela respondeu:
- Uma traição.
De facto uma coisa tem a ver com a outra. E eu não consigo conviver nem com uma, nem com outra.
Vou focar-me na minha resposta, no ciúme. Ao contrário de muitos que dizem, que o ciúme por vezes é saudável, que mostra que continuamos a gostar da nossa parceira, eu não posso discordar mais. Não consigo conceber uma relação que não seja baseada na confiança e onde o ciúme tenha cabimento. Os ciúmes condicionam-nos. Quer quem os tem, quer quem é alvo deles. Afectam a nossa liberdade e tendem a modificar a nossa forma de estar na vida. Alteram comportamentos naturais que poderão ser passíveis de gerar, mais uma vez, ciúmes no outro. Perde-se a espontaneidade e, com isso, afastamo-nos dos amigos ou forçamos um afastamento destes. Quantos de nós já passaram pela situação de uma amiga que de repente arranjou namorado e que por isso agora já não pode ter connosco as mesmas conversas que tinha porque o namorado não gosta? Pior é quando essa conversa continua a existir, mas tem de ser feita às escondidas para não perturbar o outro e não desencadear a já esperada cena de ciúmes. Sempre achei isso inqualificável e uma falta de respeito por nós. Igualmente não aceito quando se fundamenta que não se deve fazer isto ou aquilo com amigos, neste caso amigas, porque apesar de se saber que nós não faríamos nada que pusesse em perigo a relação, as outras pessoas podem pensar. Mas a relação pode ficar em perigo por causa daquilo que os outros podem pensar? Pode? Mas toda a gente tem de saber qual é o tipo de relação que nós temos com os nossos amigos/amigas? Mas os juízos de valor que os outros fazem devem condicionar os nossos comportamentos? Era o que mais faltava. Refiro-me aos outros, não aos nossos amigos porque esses conhecem-nos. De qualquer forma não são esses nunca a questionar. Não sendo estes, muito menos poderá ser a nossa namorada, que supostamente nos conhece melhor do que qualquer outra pessoa. Ciúmes no início da relação, é uma coisa. Ciúmes durante toda a relação, é outra.
Mas se há ciúmes é porque a outra pessoa não demonstra que estes não têm cabimento. Suponho, então, que neste caso já tem de ter havido uma traição anterior. Neste caso tudo muda. Não só aceito que se tenham, como acho que não é possível ultrapassar-se esta situação. Eu não ultrapasso e não dou segunda oportunidade. Não conseguira restabelecer a confiança indispensável à manutenção da relação. Mais uma vez, não seria capaz de viver numa relação onde a desconfiança permanente não me abandonasse.

B. e A.