segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma vez, há já muito tempo, a minha namorada perguntou-me qual seria aquela coisa que me faria pensar em acabar uma relação. A minha resposta foi rápida:
- Os ciúmes.
Perguntei-lhe também, ao que ela respondeu:
- Uma traição.
De facto uma coisa tem a ver com a outra. E eu não consigo conviver nem com uma, nem com outra.
Vou focar-me na minha resposta, no ciúme. Ao contrário de muitos que dizem, que o ciúme por vezes é saudável, que mostra que continuamos a gostar da nossa parceira, eu não posso discordar mais. Não consigo conceber uma relação que não seja baseada na confiança e onde o ciúme tenha cabimento. Os ciúmes condicionam-nos. Quer quem os tem, quer quem é alvo deles. Afectam a nossa liberdade e tendem a modificar a nossa forma de estar na vida. Alteram comportamentos naturais que poderão ser passíveis de gerar, mais uma vez, ciúmes no outro. Perde-se a espontaneidade e, com isso, afastamo-nos dos amigos ou forçamos um afastamento destes. Quantos de nós já passaram pela situação de uma amiga que de repente arranjou namorado e que por isso agora já não pode ter connosco as mesmas conversas que tinha porque o namorado não gosta? Pior é quando essa conversa continua a existir, mas tem de ser feita às escondidas para não perturbar o outro e não desencadear a já esperada cena de ciúmes. Sempre achei isso inqualificável e uma falta de respeito por nós. Igualmente não aceito quando se fundamenta que não se deve fazer isto ou aquilo com amigos, neste caso amigas, porque apesar de se saber que nós não faríamos nada que pusesse em perigo a relação, as outras pessoas podem pensar. Mas a relação pode ficar em perigo por causa daquilo que os outros podem pensar? Pode? Mas toda a gente tem de saber qual é o tipo de relação que nós temos com os nossos amigos/amigas? Mas os juízos de valor que os outros fazem devem condicionar os nossos comportamentos? Era o que mais faltava. Refiro-me aos outros, não aos nossos amigos porque esses conhecem-nos. De qualquer forma não são esses nunca a questionar. Não sendo estes, muito menos poderá ser a nossa namorada, que supostamente nos conhece melhor do que qualquer outra pessoa. Ciúmes no início da relação, é uma coisa. Ciúmes durante toda a relação, é outra.
Mas se há ciúmes é porque a outra pessoa não demonstra que estes não têm cabimento. Suponho, então, que neste caso já tem de ter havido uma traição anterior. Neste caso tudo muda. Não só aceito que se tenham, como acho que não é possível ultrapassar-se esta situação. Eu não ultrapasso e não dou segunda oportunidade. Não conseguira restabelecer a confiança indispensável à manutenção da relação. Mais uma vez, não seria capaz de viver numa relação onde a desconfiança permanente não me abandonasse.

B. e A.

4 comentários:

Rosa Cueca disse...

Eu acho que os ciúmes não implicam falta de respeito face ao espaço do outro. Há coisas que podem desencadear um ciuminho, mas isso não implica que se aja sobre esse sentimento "lixando" a cabeça ao parceiro por coisas descabidas.
Inseguranças todos temos..
Quando é o outro que tudo faz para causar ciúme, que também os há, não vejo a relação a durar muito tempo. Ninguém aguenta estar tão condicionado e ao mesmo tempo é não ter pudor de magoar o outro - tudo menos uma relação saudável.
No fundo separo o que é um ciúme do que é uma desconfiança. Acredito que possa existir um sem o outro necessariamente.

ANDARILHO disse...

P/ Rosa Cueca:

Pois eu também acho que pode haver desconfiança sem haver ciúmes. Quando isso acontece (numa relação)é porque das duas uma: ou um deles não tolera desconfiança e termina logo ali, simplesmente porque não concebe a relação sem confiança (e deste modo mata logo os eventuais ciúmes) ou, ainda, dá tempo ao tempo (de forma limitada, não é para a vida toda) para que a outra pessoa conheça o carácter do(a) namorado(a) e conclua que o ciúme não tem cabimento.

Claro que também há, como tu dizes, aquelas que fazem cenas de propósito para criar ciúmes no namorado só para que ele repare que é desejada também por outros. Encaro isso um disparate também e também como uma notória falta de segurança. A insegurança é naturalíssima no início de uma relação. Já não considero que seja a partir da altura em que é suposto conhecer-se com quem estamos.

Bem-vinda aqui. :)

Anónimo disse...

Eu por ter vivido uma relação na base da desconfiança, abomino os ciumes! Sentia-me controlada a toda a hora. Deixei de ser eu. Era chamada a atenção pelo que dizia, ainda que não visse qq mal no que dizia. Não perdoo à pessoa com quem estive o que me fez passar. E a mim por ter permitido. Os ciumes nunca são na medida certa!

ANDARILHO disse...

P/ Anónima:

Pois concordo. Não que eu já tivesse passado assim por uma relação longa em que os ciúmes fossem a norma. De qualquer modo, não concebo, contrariam aquilo que eu tenho como certo numa relação: a confiança. Também não sou nada apologista de uns ciuminhos qb são sempre bons para mostrar o interesse pelo outro. São simplesmente disparate. Só isso.